segunda-feira, 14 de maio de 2012

Ética e política: o que isso tem a ver com a gente?


A forma com que a política tem sido praticada no Brasil a torna cada vez mais distante do conceito de ética. Percebe-se, portanto, que há um verdadeiro abismo separando duas vertentes que deveriam andar de mãos dadas. Ética, na definição apresentada por Adolfo Vazques, é a ciência que estuda o comportamento moral em sociedade. Ou seja, trata de analisar costumes, princípios e valores que formam a conduta do indivíduo.

Política, por sua vez, pode ser entendida como um instrumento de transformação social. Refere-se a toda modalidade de direção de grupos que envolva poder, administração e organização. Em outras palavras, é uma ciência voltada para o desenvolvimento adequado de uma comunidade. Na teoria, conceitos como bondade, justiça, igualdade e honestidade deveriam caracterizar a atuação política.

Mas na prática não é bem isso o que acontece. A imprensa mostra todos os dias casos absurdos envolvendo agentes políticos. Situações que andam na contramão daquilo que é considerado ético, ou seja, correto, verdadeiro. Basta olhar jornais e revistas, bem como assistir a telejornais, para constatar a enxurrada de informações negativas envolvendo a classe política.

Desvio de verbas, desperdício de dinheiro público, promessas não cumpridas, envolvimento com máfias, compra de votos, serviços públicos precários e esquemas escabrosos são apenas alguns itens que são divulgados. Por trás de todo o processo político, existem mais “falcatruas”. É que os meios de comunicação divulgam apenas o que descobrem. E olha que há um esforço grande da imprensa em desmascarar esses verdadeiros oportunistas que se vestem de terno e gravata.

Mas uma coisa precisa ser dita. Políticos desonestos e que contradizem os princípios éticos podem ser resultado de eleitores corruptos. Infelizmente, há quem troque o voto por cesta básica, calçados, medicamentos e dinheiro. Há quem desvalorize o poder de decisão, abrindo mão da cidadania a troco de um churrasco ou de uma caixa de cerveja. O político que compra votos não tem escrúpulos e o cidadão que permite essa prática, também não. Talvez ele seja até pior, pois está alimentando a desonestidade na política.

O eleitor que se vende, concede ao candidato o direito de brincar com a sociedade durante os quatro anos de mandato. O mesmo político “bonzinho” que dá presentes para ganhar votos, sequer receberá um morador em seu gabinete. Os exemplos atuais já são mais do que suficientes para comprovar isso. Quanto tempo leva para conseguir agendar um horário para falar com os vereadores? E com o prefeito? Algum dia esses representantes estiveram nos bairros ouvindo as reclamações da comunidade? Só em época de eleições.

O Brasil já teve bons exemplos de participação popular em busca da moralidade política. O impeachment do presidente Fernando Collor de Melo, a movimentação dos “caras pintadas” e a iniciativa popular na implantação do projeto “Ficha Limpa” mostram que ainda é possível acreditar. Mas tudo isso é pouco diante da sujeira que impregnou os corredores do congresso, prefeituras e câmaras municipais.

Para aproximar a ética da política e, acabar de vez, com essas desmazelas, o cidadão precisa se movimentar mais. O povo precisa reagir, não pode ser, simplesmente, um mero espectador. A população não pode pensar que política é assim mesmo e que nada mais pode ser feito. Aliás, o eleitor não pode ser contagiado pelo vírus da malandragem e trocar seu voto por regalias. Isso também é antiético.

Boa parte dos políticos brasileiros sequer conhece valores morais e éticos. Mas porque estão lá? Simples. Alguém votou neles. E votou mais de uma vez, porque alguns estão no poder há décadas, mandando e desmandando, fazendo o que querem. O que não falta na política são exemplos de Sarneys, que envergonham a nação. É complicado. Mas toda eleição, os mesmos são eleitos.

É possível alcançar a moralidade na política, bem como eleger candidatos honestos, que priorizem a ética. Para isso, basta haver eleitores conscientes. É preciso que haja cidadãos mais comprometidos e dispostos a lutar. Ser enganado uma vez, tudo bem! Mas passar a vida toda cometendo o mesmo erro e ouvindo as mesmas lorotas, é assinar atestado de burrice. É assumir a condição de palhaço, bastando, apenas, colocar o nariz vermelho!

Obs.: Este texto faz parte de um trabalho de faculdade, da disciplina de "Ética e Deontologia Jornalística". Achei pertinente publicá-lo no blog já que estamos nos aproximando de um período eleitoral. Está chegando a hora do eleitor fazer valer a sua voz nas urnas. 

7 comentários:

Thiago Vasconcelos disse...

Meu amigo...
Parabéns pelo texto!
Um relato perfeito de como está a política hoje em dia! A mudança precisa começar com nós, eleitores!

CARLOS TEIXEIRA disse...

Olá garoto. Muito bom texto. Com certeza é pertinente ao momento. Esse circulo vicioso político x eleitor x político é que faz com que o "status quo" demore a mudar. O cidadão que prega a ética e a transparência não perde a oportunidade de pedir aquele "jeitinho" para não ser multado; para fular a fila no banco ou ainda para conseguir que o vereador ou deputado pague aquela conta de luz que ele não pagou, porque gastou o dinheiro na cervejada com os amigos. O que falta é educação, para que o cidadão fique efetivamente sabendo que ele pode ganhar muito mais com um político ético e moralmente equilibrado. O cidadão passará a ter mais direitos e dinheiro, não só para pagar a sua conta de luz, como também tomar a sua cervejinha. É isso... Você está no caminho certo. Jornalista tem de ser crítico e se incomodar com as coisas erradas. Quando isso deixar de existir, ele deixará de ser jornalista.

LUCAS MATHEUS disse...

Obrigado pelo comentário, Thiago. Se o eleitor mudar a mentalidade, é certo que a política também mudará de rumo!

LUCAS MATHEUS disse...

Olá Teixeira! Obrigado pela visita. Vc tem razão. Falta educação e consciência. O eleitor precisa entender a força que tem para mudar o que está errado. Volte sempre, meu amigo. Abração!

Laercio Macedo disse...

Amigo muito bom seu Texto na vida temos que exercer a nossa cidadania !1 Votar é o melhor jeito de tentar mudar o País ... abrss

LUCAS MATHEUS disse...

Obrigado pela visita, Laercio. Volte sempre. Um abraço!

Midian Neves Franca disse...

Muito bom pois estudo comportamento humano dento da
Ética e esse texto e excelente.