O ano de 2009 foi marcado por diversos escândalos políticos que envergonharam o Brasil. Em maio, o presidente do Senado José Sarney (PMDB-AP) teve de se explicar publicamente devido ao recebimento irregular de verbas mensais referentes a auxílio moradia. Ele e outros parlamentares foram beneficiados com o valor de R$ 3.800,00. O presidente do Senado chegou a afirmar que “tinha a impressão de que não estava recebendo esse auxílio”.
Mais tarde, em meados de junho, denúncias da imprensa revelaram a existência de mais de 600 atos secretos que nomearam parentes e amigos de senadores, além de criar benesses salariais para servidores. Mais uma vez, o presidente do Senado, José Sarney, teve de prestar contas por ter seu nome envolvido em mais esta polêmica e aproveitou para anunciar a criação de uma comissão que investigaria o caso e aplicaria punição aos responsáveis pela não publicação dos atos.
Sarney resistiu às denuncias e foi à tribuna para se isentar de qualquer responsabilidade nos escândalos que envolvia o Senado. “A crise é do Senado, não minha”, afirmou. Após a repercussão do caso e as constantes críticas da opinião pública, pouco tempo depois, Sarney determinou a anulação dos atos secretos e a demissão dos funcionários nomeados por este sistema fraudulento. O ex-diretor geral do Senado, Agaciel Maia, foi acusado de ser o mentor dos atos.
E os absurdos não terminam por aqui. Tem ainda o caso do deputado Edmar Moreira (sem partido – MG), apontado como dono de um castelo avaliado em aproximadamente R$ 25 milhões de reais. Nesse mesmo contexto, outro deputado que ganhou visibilidade foi o relator do processo contra Moreira, o deputado Sérgio Moraes (PTB-RS). No auge do escândalo, ele disse que não iria se antecipar em relação ao caso por falta de provas contra o colega. E foi além. Ao ser pressionado quanto a decisão ele afirmou: “Estou me lixando para a opinião pública”. Depois disso, acabou sendo destituído da relatoria.
A crise no senado ainda apresentava seus desdobramentos. O presidente Luís Inácio Lula da Silva não escondeu seu apoio a permanência de Sarney na presidência da Casa. Enquanto isso, vários senadores pediam o afastamento imediato de José Sarney. Entre eles, o líder do PT no senado, Aloizio Mercadante, que chegou a anunciar sua renúncia como forma de protesto a orientação do partido. Porém, bastou uma conversa com Lula para o senador voltar atrás. Outro senador petista que se manifestou favorável a saída de Sarney, foi Eduardo Suplicy, que ao subir na tribuna mostrou um cartão vermelho defendendo a renúncia do presidente.
Outro escândalo político que abalou o país aconteceu no final de 2009, em Brasília. Um suposto esquema de corrupção foi desvendado pela Operação Pandora, da Polícia Federal. O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), é acusado de ser o principal beneficiado pelo esquema de corrupção, que desviava dinheiro público para pagar propina a deputados da base aliada. Além de Arruda, diversos políticos estão envolvidos, conforme mostram algumas gravações divulgadas recentemente. Segundo o governador, o dinheiro recebido seria para comprar panetones às famílias de baixa renda.
Enfim, politicamente, 2009 foi um fiasco. Diversos acontecimentos marcaram negativamente a política brasileira. Entre os escândalos citados anteriormente, tem também os desentendimentos entre os próprios políticos, que ganharam repercussão na mídia. É importante que as pessoas se lembrem de todos os absurdos acontecidos no ano passado, para que nas próximas eleições façam uma varredura completa na sujeira que, infelizmente, ainda assola a política deste país.