sábado, 3 de março de 2012

O jornalismo por mim mesmo


Dizem que para ser jornalista é preciso ser um bom contador de histórias. E, talvez, esteja aí um dos grandes desafios do profissional que trabalha com a informação: transformar a notícia em algo acessível ao público. A tarefa não é fácil, pois além de trabalhar com fatos e histórias verdadeiras, o jornalista precisa interpretar o acontecimento, mantendo-se distante de qualquer consideração particular. Cabe a ele transmitir a ideia de maneira simples e clara para que as pessoas formem a própria opinião.

Quem se dispõe a entrar nesta profissão, precisa estar preparado para viver grandes desafios. A vida nas redações é sempre muito agitada e fora delas, então, nem se fala! A notícia vem da rua e não tem hora para acontecer. No entanto, no caso da TV, ela tem hora para entrar no ar. Aí a corrida é contra o tempo, não tem jeito.

Logo nas primeiras horas do dia, equipes de reportagem estão nas ruas para cumprir as pautas. As marcações são sempre feitas antes pelo produtor, que deixa tudo explicado e organizado para que o repórter faça a matéria. Portanto, a reportagem que você costuma ver na televisão, nasce dentro da redação, durante uma reunião de pauta. Em geral, cada repórter faz duas matérias diariamente. Mas o dia de um profissional da notícia nunca é igual ao outro e tudo pode mudar em questão de segundos.

Se acontecer um factual – um acidente, por exemplo – as marcações “caem” e a equipe vai imediatamente para o local constatar o que houve. Aí, o produtor, dentro da redação, desmarca com o entrevistado e tenta agendar para outro dia. Pode ser também que aconteça algo relevante no finzinho do expediente do repórter e ele precise continuar trabalhando. O importante é estar sempre em cima da informação.

A corrida contra o tempo existe porque, muitas vezes, o repórter precisa fazer o VT para entrar naquele mesmo dia. E aí tem sempre alguns contratempos na rua. Uma hora é o entrevistado que te deixa esperando, outra hora é o personagem que desiste de dar a entrevista. Isso sem contar algumas falhas técnicas que em televisão acaba sendo bastante comum.

O repórter também precisa estar preparado para fazer links, que são participações ao vivo dentro do telejornal. E como é ao vivo, tudo pode acontecer. Que atire a primeira pedra o jornalista de TV que nunca pagou um mico! Acontece. O dia-a-dia da reportagem não é uma tarefa fácil, mas é uma atividade muito prazerosa. O profissional passa raiva, fica irritado, se estressa, mas ao mesmo tempo está sorrindo, brincando com o cinegrafista, tirando sarro do que acontece na rua... É um misto de sentimentos!  

Descrevi bem por cima como funciona o trabalho de um repórter, mas poderia escrever bem mais se fosse contar como é o trabalho da produção. Passei por ela também e sei que os profissionais da redação “matam um leão por dia”. Enquanto as equipes estão na externa, os produtores estão pendurados no telefone fazendo ronda, buscando pautas, checando informações, marcando links. A turma não para um segundo. Às vezes, a demanda é tão grande, que produtor sai pra rua pra fazer matéria. O jornalista precisa estar preparado para encarar os desafios que, cá entre nós, nesta profissão é o que não falta.

Estou no mercado de trabalho há pouco mais de dois anos, trabalhando com TV. Mas antes disso, tive experiências importantes que começaram dentro da escola. Depois, aos 15 anos, passei a escrever artigos em um jornal da cidade. Aliás, isso até merece um post à parte. Dentro do trabalho jornalístico, esta foi a primeira oportunidade que tive. Depois, entrei no SBT, onde aprendi e aprendo muito até hoje.

Há alguns anos, era eu quem perguntava aos profissionais mais experientes como era trabalhar na área e o que se aprendia nos bancos de uma faculdade. Hoje, estudantes interessados nesta profissão me fazem a mesma pergunta. Olho para trás e vejo que apesar dos meus 20 anos, já caminhei bastante dentro daquilo que sempre sonhei. Por isso bato na tecla de que jornalismo não é apenas técnica. Jornalismo é uma paixão, um dom.

Só segue esta profissão quem é capaz de renunciar e não traz consigo a gana pelo dinheiro. Até mesmo porque, a primeira notícia que se dá para um estudante de jornalismo é que ele jamais ficará rico exercendo essa função. Portanto, quem faz, faz porque gosta. Afinal, mais do que uma profissão, ser jornalista é uma verdadeira missão.

5 comentários:

Thiago Vasconcelos disse...

Olhaa...explicações perfeitas do dia-a-dia de um jornalista! Parabéns!
Agora, os dois últimos parágrafos, nossa, vc disse tudoo! Só segue essa profissão quem realmente gosta! E reforço, jornalismo é um dom!

Dener Felipe disse...

Realmente o dia a dia de um repórter é bastaste complicado. Mas são nas reportagens, nos programas, nos pequenos noticiários, em revistas, jornais que vemos a grande importância desse profissional. Logo de manhã, no meu caso as 6:00h, ligo a TV e recebo um bom dia dos jornalistas. É muito gratificante saber que eles fazem o que for possível pra dar ao público a clareza dos fatos. Parabéns, Lucas!

LUCAS MATHEUS disse...

Dener, o jornalista trabalha para a comunidade. O dia é sempre muito corrido, mas no final, a gente percebe que sempre vale a pena! Abraço forte, brother!

Anônimo disse...

oi lucas, para ser reporter ou jornalista o cara tem que ter coragem, pois vive a cada momento. o sofrimento dos outros e tem que transmitir com sensibilidade, uma palavra que o ser humano esqueceu, parabens vc ta demais, sua amiga, marta cristina bjs

LUCAS MATHEUS disse...

Marta, obrigado pelo carinho de sempre. Bjão!